Projeto inédito reúne cinco faixas e aposta em “Corona e Aperol” como potencial hit da farra
Bruno & Barretto seguem fazendo aquilo que o agronejo mais gosta: quebrar regra e testar novos caminhos. Desta vez, a dupla escolheu um território pouco explorado dentro do gênero para colocar o projeto na rua: o Carnaval.
Para marcar a data, o EP “Carnaval dos Cuiudo” chega às plataformas digitais na quinta-feira de folia, 12 de fevereiro, reunindo cinco faixas. Além disso, o trabalho conecta a energia típica da temporada com a estética do universo agro — costurando batidas eletrônicas, influências do funk e a identidade já conhecida do duo.

Agronejo com cara de Carnaval: por que a dupla quis apostar alto?
Em resumo, a ideia nasceu justamente do choque: quando algo parece “ousado demais”, é aí que dá vontade de fazer acontecer. Segundo Bruno, a proposta faz sentido porque o agronejo sempre teve esse traço de ruptura.
“O agronejo sempre foi sobre quebrar padrões. Quando a gente decidiu fazer um projeto com cara de Carnaval, muita gente achou ousado demais — e é exatamente por isso que deu vontade de fazer”, afirma Bruno.“A gente gosta de provocar, de testar caminhos novos, mas sem perder nossa raiz”.
Com isso, a dupla tenta equilibrar provocação e raiz — um ponto que sustenta o conceito do EP. Na prática, é festa, é verão, é meme e é arena, mas sem abrir mão do imaginário agro que levou Bruno & Barretto até aqui.
O que significa “Cuiudo” — e por que esse nome diz tanto sobre o projeto?
Antes de tudo, o título do EP já entrega a postura. “Cuiudo” é um termo de origem gaúcha usado para se referir ao animal que ainda não foi castrado — uma imagem associada a força, vigor e virilidade, aqui traduzida com uma pegada bem-humorada e irreverente.
Vale destacar que a produção do projeto é assinada por Vini Pieri. Ao mesmo tempo, Barretto reforça que o termo tem tudo a ver com o que a dupla canta e representa:
“O ‘cuiudo’ representa muito do que a gente canta: atitude, intensidade e esse espírito forte do agro”, completa Barretto. “É tudo levado com humor, mas também com muita identidade”.
Faixa a faixa: onde o EP acerta no “chiclete” e no storytelling
No centro do conceito, a faixa “Os Cuiudo” aparece como vitrine do EP. Para aproximar ainda mais da linguagem de internet, a música incorpora o bordão viral do fenômeno das redes sociais AgroTaigo: “Quer gin? Quer licor? Quer whisky? Quer Pix? Toma mil, te amo”.
A partir daí, a canção exalta o estilo de vida agro e entrega versos que desenham o cenário com clareza — ou seja, quase como se fosse um “clipe mental” de arena, resenha e poeira:
“Meu habitat natural é no meio da saroba.
A roupa é sempre igual: corrente, chapéu e bota […]
Quer fazer o que nós faz? Quer competir com a gente?
Macio nem entende”.
Por isso, Bruno aponta que a faixa conversa direto com o público que acompanha a dupla, justamente por ser fácil de visualizar:
“A música conversa direto com o nosso público. É aquele som que você escuta e já imagina o cenário, a galera, o clima”, explica Bruno. “Tem verdade ali”.
Na sequência, “Corona e Aperol” entra com referências ao drink e ao clima de verão. Consequentemente, funciona como uma das apostas mais radiofônicas e de playlist, com refrão pensado para grudar — especialmente em períodos de folia.
Já em “Texana 37”, a dupla investe em narrativa: um cowboy sai em busca da sua “Cinderela”, que perdeu a bota em sua Dodge Ram. Por outro lado, “Morena do PR” percorre o circuito de rodeios e arenas do país e reforça a conexão com a cultura sertaneja e o universo agro.
Por fim, “Tomara Que Sim” fecha o projeto mostrando o lado mais provocador do EP. Em outras palavras, a faixa explora um romance que nasce nas redes sociais e evolui entre desejo, dúvida e intensidade — um tema que também conversa com o consumo rápido e a estética “internetável” do projeto.
“O agro também sabe brincar”: a leitura da dupla sobre ocupar novos espaços
No olhar de Barretto, o EP não é só uma brincadeira de Carnaval; na verdade, é uma forma de dizer que o agro — e o agronejo — podem circular em qualquer território cultural.
“Esse EP mostra que o agro também sabe brincar, curtir e ocupar todos os espaços”, resume Barretto.“A gente saiu das estradas e das arenas, mas chegou também na maior festa popular do Brasil”.
Assim, com “Carnaval dos Cuiudo”, Bruno & Barretto reforçam que o estilo que nasceu no campo tem versatilidade para dialogar com diferentes públicos e momentos. Além do EP, o lançamento também abre uma fase intensa de novidades e antecipa a chegada de um novo projeto em áudio previsto para março.
Em conclusão, a dupla volta a mostrar que dá para misturar referências, acelerar o ritmo e, ainda assim, manter a identidade — principalmente quando a proposta é transformar o “agro” em festa sem perder a verdade do próprio público.


